| |
 |
Artigos |
|

|
|
- AUTO-MEDICAÇÃO. QUE RISCOS ELA PODE TRAZER?
Dr. Jorge Barros Afiune
-
ASMA – CONHECER PARA CONTROLAR Prof. Drª Ana Luisa Godoy Fernandes
-
ESPIROMETRIA Dr. Luiz F. R. Medici
-
TUBERCULOSE MULTIRESSISTENTE Drª Marcia Telma Guimarães Savioli

19 de agosto de 2009
Artigo elaborado por Drª Marcia Telma Guimarães Savioli
TUBERCULOSE MULTIRESSISTENTE
A carga de sofrimento e perdas econômicas que causa a tuberculose pesa em nossa consciência. A tuberculose (TB) é uma doença curável e prevenível por isso devemos tomar medidas urgentes para expandir nossos esforços e conseguir detê-la.
A emergência de drogas resistentes usada para seu tratamento (TB) tem tornado esta doença um problema enorme de saúde pública em inúmeros países, inclusive o Brasil.
O controle da tuberculose no Brasil está bem estabelecido e bastante descentralizado. Temos um sistema de informação adequado com melhora progressiva e que tem nos permitido implementação em nossas ações.
O Instituto Clemente Ferreira em São Paulo teve e tem grande participação no programa de controle da tuberculose inclusive nas formas resistentes.
O Brasil foi o 1º país a oferecer tratamento gratuito para Tuberculose Multirresistente (TBMR) (400 casos em 2006).
Há alguns anos notamos o surgimento de novos padrões de resistência, dificultando cada vez o seu controle e cura. Muitos destes casos são definidos pela Organização Mundial da Saúde como Tuberculose Extensivamente Resistente (TBXDR), isto é tuberculose resistente a múltiplas drogas (Rifampicina, Isoniazida e ou Etambutol e Pirazinamida) mais uma quinolona e pelo menos uma das três drogas injetáveis de 2º linha, Amicacina, Capreomicina ou Kanamicina.
Estudamos todos os casos de TBMR notificados e tratados neste instituto no período de 1994 a 2007.
No período foram diagnosticados 17 casos de TBXDR. Foram avaliados imunodeficiências, variação da sensibilidade em diferentes amostras, resistência primária ou adquirida, tratamento e desfecho.
Nestes 17 casos de TBXDR, imunodeficiência foi detectada em 4 pacientes (AIDS em 3 e Diabetes mellitus em um); resistência primária só foi verificada em um paciente. Todos os pacientes apresentavam mais de uma cultura e realizadas em períodos diferentes. Em apenas 2 casos foi observado repetição do padrão TBXDR e nos demais, uma amostra revelou TBXDR e as outras apenas MR. Neste período avaliado todos esquemas usados tinham amicacina e uma quinolona e mais pelo menos 3 drogas. Foram verificadas 5 curas e 11 fracassos, dos quais 6 faleceram. Apenas um caso de falência foi considerado curado quando associado a cirurgia. Não houve relação entre cura ou falência, diversidade do TS e esquema adotado. A concordância dos testes de sensibilidade não influenciou o desfecho.
Em outro grupo, foram analisados 18 pacientes com resistência semelhante aos TBXDR, a exceção foi a resistência a outro aminoglicosideo injetável, estreptomicina, que segundo Ministério da Saúde a considera droga de segunda linha. Dois pacientes eram portadores de AIDS. Em 3 casos, a resistência foi considerada primária. Foram observadas 4 curas, das quais uma associada a cirurgia e 14 falências, com 11 óbitos; 2 casos ainda continuam em tratamento.
No total de 35 casos e 84 amostras de escarro encontramos 57/68% de resistência a ofloxacina.
Este estudo evidenciou que é muito preocupante a detecção de elevado número de amostras resistentes à ofloxacina, pois poderia ser reproduzida a experiência com a estreptomicina (uso de drogas anti-tuberculosas como antibióticos inespecíficos). Outro fator evidenciado foi a existência de TBXDR primária, o que tem grande importância no tratamento da TB latente. A discordância dos testes de sensibilidade no mesmo paciente tanto pode ser determinada pela não reprodutibilidade absoluta do processo ou, o que acreditamos, pela presença de cepas diferentes no mesmo paciente; de qualquer forma, impõe-se a realização de vários testes de sensibilidade para melhor entendimento do problema. Diante desta situação confirmamos que apesar do prognóstico sombrio, alguns pacientes podem ser curados ou, pelos menos, estabilizados.
03 de junho de 2009
Artigo elaborado por Dr. Luiz F. R. Medici (Médico responsável pelo Laboratório de Provas de Função Pulmonar Instituto Clemente Ferreira)
ESPIROMETRIA
O QUE É:
É um exame, realizado em um aparelho denominado ESPIRÔMETRO que tem por finalidade, medir volumes e fluxos pulmonares que podem estar alterados em uma série de doenças pulmonares.
ESPIRÔMETROS:

Koko - Atual

Collins - 1980
COMO É FEITA A ESPIROMETRIA
1. Como os valores de normalidade da espirometria são baseados na idade, peso, altura e sexo, estes parâmetros são obtidos e registrados em um computador que tem um programa específico para análise destes dados.
2. O paciente é “conectado” ao espirômetro por um bocal descartável e realiza uma série de manobras respiratórias que são registradas pelo espirômetro e enviadas ao computador.
3. O médico especialista, analisa estes achados e dá o diagnóstico espirométrico. (NORMAL, DISTÚRBIO VENTILATÓRIO OBSTRUTIVO, DISTÚRBIO VENTILATÓRIO RESTRITIVO, DISTÚRBIO VENTILATÓRIO MISTO)
AS PRINCIPAIS APLICAÇÕES DA ESPIROMETRIA
1. Avaliação de doenças “OBSTRUTIVAS” (aquelas em que o calibre do brônquio está diminuído)
Exs:
Asma brônquica:
(no diagnóstico, na crise, na avaliação do tratamento)
DPOC:
(bronquite crônica + enfisema pulmonar)
2. Avaliação de doenças “RESTRITIVAS” (aquelas em que o volume pulmonar está diminuído)
Ex.
Fibrose pulmonar:
(para quantificar a intensidade da doença e acompanhar a evolução e o tratamento)
3. Investigação de TOSSE e FALTA DE AR de origem obscura.
Através dos testes de provocação brônquica (exame um pouco mais complexo que usa a espirometria)
4. Investigação de doenças do TRABALHO (ocupacionais)
Diagnosticar e monitorar os efeitos no trabalhador de substâncias perigosas
Ex.
Asma ocupacional:
Pneumoconioses (silicose, siderose, outras)
Avaliação de incapacidade pulmonar decorrente de moléstias ocupacionais.
5. Avaliação do risco cirúrgico em cirurgias torácicas, cardíacas e abdominais principalmente nos indivíduos com DPOC e ASMA BRÔNQUICA ou outras doenças que diminuam a capacidade respiratória.
6. Pesquisa médica
A ESPIROMETRIA é um exame de fácil realização, segura, confortável mas que exige equipamento confiável além de uma boa compreensão e colaboração do paciente para que o exame forneça informações adequadas para um bom diagnóstico espirométrico e dar subsídios para uma boa prática médica.

21 de maio de 2009
Artigo elaborado por Prof. Drª Ana Luisa Godoy Fernandes (Profª Associada Livre Docente - Chefe da Disciplina de Pneumologia da Unifesp/EPM - Diretora de Ensino e Exercício Profissional da SBPT)

ASMA – CONHECER PARA CONTROLAR
- O que é asma? Como se manifesta?
- Qual o tratamento? - Por que usar o aerossol dosificador = a bombinha ou medicamentos em pó por via inalatória
O que é asma? Como se manifesta?
Conceitos - como funcionam nossos pulmões, o que é Asma.
A asma, também conhecida como” bronquite alérgica”, é uma doença crônica que afeta indivíduos de todas as idades. Hoje em dia, em cada cem adultos seis ou sete são asmáticos e em cada cem crianças dez são asmáticas.
Os brônquios são vias por onde entra e sai o ar que respiramos. A asma é uma inflamação dos brônquios, que sofrem estreitamento, ou seja, a passagem do ar fica mais difícil porque o tamanho interno dos brônquios fica diminuído.
O estreitamento dos brônquios é causado pelo inchaço que a inflamação provoca, pela contração dos músculos que estão ao redor dos brônquios e pelo aumento de escarro também provocado pela inflamação.
A inflamação deixa os brônquios mais sensíveis, e por isso podem se fechar por vários estímulos, como pó, fumaça de cigarro, cheiro forte etc.
Como resultado do fechamento dos brônquios, o asmático sente falta de ar, chiado, sensação de aperto no peito e tosse com catarro. Esses sintomas vão e voltam, podem ser fracos ou fortes e variam de pessoa para pessoa.
A asma pode ser controlada com tratamento, e o paciente deixa de ter esses sintomas. Inclusive, o bom tratamento permite que o pulmão funcione normalmente.
Saber conviver com a asma é importante. Deve ficar claro que a asma adequadamente tratada pode ser controlada, permitindo uma vida normal. Pode haver melhora espontânea dos sintomas por muitos anos, ou até a vida toda, principalmente na criança. Nunca podemos saber qual criança ficará livre de sintomas. Sabemos que muitas crianças melhorarão durante ou após a adolescência. Do mesmo modo que a asma pode melhorar quando a criança cresce, ela pode voltar na idade adulta. Independente de qualquer previsão, todo asmático deve receber tratamento visando uma vida normal.
Qual o tratamento?
Para um tratamento adequado, o paciente deve conhecer o ABCD do tratamento da asma. A - Saber o que piora a asma e saber como evitar os fatores desencadeantes. B - Usar medicamentos apropriados para o seu caso, por recomendação médica. C - Saber como reconhecer quando a asma está saindo de controle e o modo de evitar crises graves. D - Conhecer os remédios que usa e seguir as recomendações para evitar os efeitos colaterais.
O uso de medicamentos antiasmáticos deve ser sempre indicado e orientado pelo médico. Os medicamentos existentes podem ser divididos em dois grupos.
1 - Medicamentos de alívio rápido
São drogas usadas para alívio dos sintomas, seja tosse, chiado ou falta de ar. Essas drogas agem relaxando a musculatura brônquica e provocando a broncodilatação. Não tratam a causa da asma, apenas aliviam os sintomas.
2 - Medicamentos preventivos, de manutenção.
São drogas que tratam a causa da asma, combatem o processo inflamatório das vias aéreas e previnem o aparecimento dos sintomas.
Os medicamentos antiasmáticos podem ser usados pelas vias inalatória, oral ou injetável.
Por que usar o aerossol dosificador “a bombinha“ ou medicamentos em pó por via inalatória.
O aerossol ou a aspiração de pó é uma maneira de se administrar um medicamento como o comprimido, o xarope ou uma injeção. A via inalatória permite que a droga usada seja administrada diretamente no pulmão. Desta forma, sua ação é mais direta, rápida permitindo uma dose menor, portanto, haverá menos efeitos indesejáveis do medicamento usado, para se obter o mesmo efeito.
A dose de um medicamento broncodilatador, por via oral, precisa ser cerca de 20 a 40 vezes maior do que a dose usada nos aerossóis ou em pó inalado para se obter o mesmo grau de alívio. Além disso, a medicação por via oral demora mais para começar a agir.
Não se deve ter preconceitos contra a bombinha ou pós. Um paciente tem complicações quando demora a procurar auxílio médico e utiliza doses muito elevadas de medicamentos de alívio, ou seja, quando não recebe tratamento adequado para sua doença.
 22 de abril de 2009
Artigo elaborado por Dr. Jorge Barros Afiune (Médico Pneumologista do Instituto Clemente Ferreira)
|

AUTO-MEDICAÇÃO.
QUE RISCOS ELA PODE TRAZER?
Você tem idéia do que acontece com um medicamento quando ele entra em seu organismo? Tenha certeza! É muito mais do que você imagina!
O simples (?) analgésico que você “escolheu” para tomar porque alguém que você conhece tomou, ou porque um familiar, o amigo ou a amiga sugeriu, ou ainda que o balconista da farmácia lhe “receitou”, sem que o seu médico tenha conhecimento, pode ter efeitos devastadores.
Vamos começar do início. Um sintoma comum, por exemplo, a dor, não aparece sem razão. As dores agudas são os principais sinais que alertam para algo errado no seu corpo. Momento então de...procurar um médico. E aí está a diferença entre um diagnóstico correto e um errado.
Claro! Sabemos que hoje esta não é uma tarefa fácil. Mesmo quem mora em cidades com muitos recursos, encontra dificuldades para achar um profissional quando é necessário. Mas tente, sempre. Pode ser que sua dor seja uma coisa simples, mas pode ser que não!
O medicamento começa a tarefa sendo absorvido pelo estômago ou pelo intestino. Aí, o que era um inofensivo comprimido já pode causar irritação local, no seu sistema digestório.
Depois disso ele penetra na circulação e muitos deles passam pelo fígado onde sofrem transformações para, só depois, atuarem na doença. Assim, se seu fígado tiver algum problema, ou se ele funcionar de uma forma diferente do normal, a medicação pode funcionar de uma maneira inadequada: menos ou mais do que deveria. E isso pode ser um problema sério.
O medicamento não é um míssil teleguiado, que vai exclusivamente ao local onde deve agir. Uma vez na circulação sanguínea, ele pode atingir qualquer região do organismo e causar efeitos indesejáveis, diferentes daquele para os quais ele está sendo tomado. São as reações adversas. Não se iluda! Todos os remédios têm reações e efeitos adversos. Sem exceção!
Aí vem um aspecto importante a que chamamos interações medicamentosas. Se você tem uma doença crônica como diabetes, hipertensão, colesterol alto, gastrite ou refluxo, se você está fazendo dieta com medicamentos, sejam eles de farmácia ou formulados e mesmo se você fez algum tratamento cosmético com, por exemplo, toxina botulínica, um outro medicamento, tomado sem orientação do médico pode interagir com os medicamentos que você habitualmente toma, mudando, às vezes totalmente, o efeito que se esperava dele. Ou modificando o efeito dos remédios que você usa para controlar sua doença.
Depois do efeito, o medicamento deve ser eliminado do corpo, o que acontece, geralmente, pelos rins. Novamente, se seu rim não funciona bem ou funciona de maneira diferente do normal, a eliminação do medicamento pode ser prejudicada e, você, também!!!!
Paracelso, um médico do renascimento tem uma frase famosa da qual nós, médicos, não nos esquecemos: “Nada é veneno e tudo é veneno. A diferença é a dose”. Não se esqueça dela você também!
E, se você não conseguir ler (e entender) a bula do medicamento, seu médico certamente poderá esclarecê-lo.
|
|